Dois expoentes da música instrumental paraibana serão homenageados na edição 2009 do projeto Sonora Brasil. Trata-se dos músicos José Siqueira e Canhoto da Paraíba que constam na programação da primeira e segunda etapa do projeto. Confirmados para abrir a primeira etapa os intérpretes Daniel Wolff (do Rio Grande do Sul) e João Pedro Borges (do Maranhão) se apresentam no dia 12 de julho, na Igreja de São Francisco, situada no Centro Histórico de João Pessoa, a partir das 20h.
Daniel Wolff e João Pedro Borges se apresentam ainda no dia seguinte,13, de julho em Campina Grande, às 20h, no Cine Teatro do SESC Centro. A entrada será um 1 Kg de alimento não perecível. As próximas etapas do projeto estão confirmadas para 17 de setembro, 20 de outubro e 14 novembro.
Na edição passada o Sonora Brasil destacou o Cinqüentenário de morte de Heitor Villa-Lobos, integrando parte da programação do Projeto criado pelo Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio, em parceria com os Departamentos Regionais da entidade.
Maestro José Siqueira
Natural de Conceição-PB, José de Lima Siqueira (1907 - 1985) foi maestro e acadêmico brasileiro fundador de vários institutos de música e arte no país. Considerado um dos brasileiros mais ilustres, o maestro José Siqueira atuou como professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro; idealizou e criou a Orquestra Sinfônica Brasileira; membro fundador da Academia Brasileira de Música e da Academia Brasileira de Artes; regeu as mais importantes orquestras do mundo, nos Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica, e na Rússia; onde boa parte de sua obra foi editorada e preservada; membro do Júri de Composição em Moscou; oficializou junto ao prefeito Miguel Arraes, a Orquestra Sinfônica do Recife, a mais antiga do pais.
O músico paraibano também idealizou e criou a Ordem dos Músicos do Brasil, assumindo a sua Presidência no de 1960. Regente e compositor reconhecido em nível internacional, regeu nos Estados Unidos grandes orquestras como a Sinfônica de Filadélfia, Detroit, Rochester. Na França, a orquestra da rádio de Paris; e em Roma, a Sinfônica de Roma, entre outras. Também regeu a Orquestra Filarmônica de Moscou, onde participou como jurado de grandes concursos internacionais. Deve-se a ele também a criação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra da Câmara do Brasil, Sociedade Artística Internacional, o Clube do Disco e a União dos Músicos do Brasil.
Canhoto da Paraíba
Conhecido como Canhoto da Paraíba (e também por Chico Soares), Francisco Soares de Araújo foi violonista e músico natural de Princesa Isabel-PB, localizada no sertão do estado, nasceu no ano de 1926 e chegou a falecer no ano passado na cidade de Paulista-PE.
Por ser canhoto, tocava com o violão invertido, mas sem inverter as cordas, pois precisava compartilhar o mesmo violão com seus irmãos, que eram destros. Embora fosse filho de pai violonista, não teve a oportunidade de aprender com ele exatamente por ser canhoto. Canhoto aprendeu a tocar sonsinho o instrumento musical.
Canhoto compôs choros com um "agradável sabor nordestino". Conta a lenda que ao ver Canhoto tocar pela primeira vez, Radamés Gnattali ficou tão impressionado que teria gritado um palavrão e jogado seu copo de cerveja para o teto e que o dono da casa, ninguém menos que Jacob do Bandolim, nunca teria apagado a mancha do teto para lembrar o momento (tudo indica que é apenas lenda).
Pela extinta gravadora Rozenblit, gravou o disco "Único amor"(1968), que, recentemente, foi relançado em CD. Canhoto tinha a sensibilidade aguçada. Na ocasião, para acompanhá-lo, escolheu Henrique Annes, violonista de formação erudita que, mais tarde, viria a se tornar um dos maiores violonistas brasileiros. Já o produtor musical do disco foi Nelson Ferreira, grande maestro e arranjador de frevos.
Aclamado por muitos músicos como um dos expoentes do choro brasileiro e consagrado pela discografia antológica, Canhoto deixou algumas obras importantes, como: “Canhoto a Mais de Mil”, (1977); “O Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso”, (1977); “Pisando em Brasa”, (1998); "Com Mais de Mil" (1997), produzido por Paulinho da Viola e "Pisando em brasa" (1993), que contou com as participações de Paulinho e do violonista Rafael Rabello. Junto com Paulinho da Viola, que produziu seu disco "O Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso" percorreu o Brasil no Projeto Pixinguinha, divulgando o choro. Em 2005, o artista ganhou o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, tendo o trabalho de 75 anos de carreira.
Em 1998 sofreu um AVC que o deixou com o lado esquerdo do corpo paralisado, ficando assim impossibilitado de prosseguir com sua carreira e, em 2008, após enfarto morreu aos 82 anos. Reconhecendo o legado de Canhoto, Paulinho da Viola dizia que era comum Chico Soares roubar o show, sendo muito mais aplaudido do que ele. Paulinho também gravou em seu primeiro disco de 1971 o belíssimo choro "Abraçando Chico Soares", que fez no estilo de composição do amigo.
Etapas definidas para 2009 csd
canhoto tinha um jeito particular de tocar violão Além dos intérpretes Daniel Wolff e João Pedro Borges, virão à Paraíba com intuito de cumprir as outras etapas: Henrique Annes (Pernambuco); Marcelo Fernandes (Mato Grosso do Sul); Salomão Habib (Pará); Fabrício Mattos (Paraná); Aluísio Laurindo Jr. (Amapá) e Nicolas de Souza Barros (Rio de Janeiro). Todos eles irão interpretar em mais de 80 cidades a obra de mais de 30 compositores que contribuíram de forma significativa para a consagração do violão como um dos instrumentos mais representativos da cultura musical do país.
Em sua XII edição o Sonora Brasil objetiva a formação de ouvintes musicais através de realização de eventos com programações identificadas com o desenvolvimento histórico da música no Brasil, trazendo a público um panorama da obra violonística desenvolvida no país nas últimas décadas. O painel configura-se por meio de concertos com oito violonistas intérpretes da obra de compositores das cinco regiões onde estão localizados seus estados de origem.
O SESC Centro João Pessoa fica situado na Rua Desembargador Souto Maior, 281, Centro.
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